martes, julio 05, 2005

BUEMBA MI BUEY!

Me bejo ahora mismo con el deber de reproducir (ah, Lucelia, my sueño!), por questión de justicia, esta maravijosa opinión de esto Camarada tcheio de intelirrencia, de la común e de la emocional, que se chama Augustón Nuñez y escrebe nel Rotabê. Esto salió hoy e es un primór! Los grifos son mijos.

No compasso da indolência

"Os governistas da CPI dos Correios, obedientes a determinações da cúpula do PT (estimulados, por ação ou omissão, pelo próprio presidente Lula da Silva), recorreram a todos os manuais de chicanas parlamentares para impedir a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de Marcos Valério, acusado por Roberto Jefferson de figurar entre os operadores do "mensalão". E procuraram desqualificar a testemunha Fernanda Karina, ex-secretária do homem da mala, no depoimento em que confirmou o que dissera sobre o antigo chefe.

Até o deputado Chico Alencar, quem diria?, valeu-se da experiência dos palanques para confundir e intimidar Fernanda. Um dos raros petistas que pareciam agarrados à bandeira da ética na política, o deputado fluminense topou arriá-la para unir-se aos advogados do bandido. No grupo escalado pelo governo para defender o indefensável, salvou-se o senador Delcídio Amaral, presidente da CPI. Embora filiado ao PT, autorizou a quebra de sigilo reivindicada pelo Brasil decente.

A decisão levou José Genoino, presidente do partido, ao limiar do pânico. "Você quer acabar com a gente?", irritou-se o Alto Companheiro durante uma conversa telefônica com Delcídio. O diálogo começou mal. Terminou um pouco pior. Nos dias seguintes, o comportamento e a fisionomia de Genoino denunciaram uma alma sob o domínio do medo. Nem poderia ser diferente, sabe-se agora.

Ele se havia apavorado com a abertura do atalho que levaria ao inverossímil descaramento que sublinha o caso do empréstimo no BMG. A divulgação do documento transformou o presidente petista num dos vértices do triângulo completado por Delúbio Soares, tesoureiro do partido, e pelo onipresente Marcos Valério. Há detalhes perturbadores. Antes da consumação do empréstimo que acabaria pagando, Valério levou diretores do BMG para uma conversa com o então ministro José Dirceu.

O que tem a dizer Genoino sobre o episódio ? Vai continuar pendurado na bisonha versão segundo a qual costuma assinar sem conferir a papelada que Delúbio lhe passa? O que tem a dizer Dirceu? Vai repetir que só conhecia Valério de vista? E o que tem a dizer a tropa de choque governista na CPI? Neste momento, todos os integrantes estão sob suspeita de cumplicidade ativa: tentaram obstruir a obtenção de provas fundamentais para o esclarecimento de parte das incontáveis patifarias que compõem o pântano da corrupção.

É possível que alguns ignorassem a existência do empréstimo. Mas todos sabiam que seria perigosa a devassa dos porões administrados por Valério, e por isso mesmo tentaram impedi-la. A indignação do Brasil honesto induziu Delcídio Amaral a cumprir seu dever. E então foram escancaradas movimentações financeiras malcheirosas e negociatas explícitas. E enfim se descobriu a trilha aberta em conjunto pelo generoso amigo mineiro, dirigentes do PT e mandarins do Planalto, além de um bando de mateiros vitaminados pelo "mensalão".

A tropa de choque governista ficou muito mal no retrato de uma CPI nascida sob o signo da indolência. As sessões se limitam a três dias por semana. O presidente Delcídio Amaral se recusa a convocar depoentes indispensáveis, como Delúbio Soares, José Genoino e José Dirceu. Ele parece acreditar que dirige investigações concentradas exclusivamente nas bandalheiras nos Correios. Mas o vídeo que mostra o chefe de departamento Maurício Marinho recebendo propinas e afirmando que Roberto Jefferson chefiava a quadrilha já foi reduzido às reais dimensões: trata-se do prólogo de uma história longa e medonha. Ela vai montar o painel do maior esquema de corrupção já forjado por pais da pátria.

Nesta terça-feira, a CPI ouvirá três envolvidos no asterisco reservado à autoria da gravação da fita protagonizada pelo extorsionário postal. Certo, o caso deve ser desvendado. Mas o país está de olhos postos em bandidagens de calibre muito mais grosso. E aguarda, ansioso, a chegada dos xerifes a paragens que requerem investigações imediatas. Jefferson sugeriu, por exemplo, que os vínculos entre Valério e o Banco do Brasil sofram o rastreamento promovido nos laços entre o homem da mala e o Banco Rural. Por enquanto, nada se fez.

Enquanto a CPI caça trombadinhas, os ladrões do trem pagador contam dinheiro na locomotiva.